quarta-feira, 25 de maio de 2011

COISAS DESSA GENTE QUE SOU

Pertenço a uma História que existe
na memória dos tempos,
suturada no útero desse povo,
ao modo de ferro e fogo,
que o próprio tempo pariu.
E pelo tempo que há de vir
se expandirá sem fronteira
tal qual a gênese de um orixá.
Não me curvo ao silêncio
dessa versão perversa e lúcida,
que torna invisível tudo que estou,
como se o que penso pudesse ser
desconstruído, pela expressão estúpida
desses alcoviteiros cheios de estórias,
que roubam detalhes, fingem fatos,
e inumanos desfiguram vidas e verdades.
Busco no tempo um tempo
maior que ele mesmo,
que se abra em inevitável caos,
e deixe fluir toda a insurreição do silêncio
como uma eufórica sangria na memória.
Pertenço a uma História
feita pelo meu povo
e penso como o meu povo,
que pertence e perturba
a estória dos donos e seus danos,
e que por isso está muito além
de seu próprio construir-se.
Sou um negro como tantos outros
negros e negras que esbanjam respeito
mas que também atiçam o seu medo.
E é melhor assim.

(Éle Semog)

7 comentários:

  1. Esse poema é muito bom!!

    Beijinhos.

    ResponderExcluir
  2. Naty, bom dia, amigo!

    Bjusss

    ResponderExcluir
  3. Oi, Naty, segui-lhe o rasto para lhe agradecer a visita e convidar para voltar mais vezes. Um abraço

    ResponderExcluir
  4. Que palavras, que força.

    Bj

    ResponderExcluir
  5. PASSA LÁ NO BLOG.

    BJUSSSSS

    ResponderExcluir
  6. Muito bom, Naty.

    Beijocas.

    ResponderExcluir